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domingo, 26 de julho de 2009

Desabafo

O autor do livro Quatro Cantos de Euclides, Thiago Cascabulho, publicou há tempos em seu blog uma nota em forma de desabafo sobre as dificuldades para a aquisição de patrocínio por via da lei Rouanet, de isenção fiscal à empresas interessadas em apoiar ativiodades culturais. Para o projeto Euclides e para todos os interessados pelos caminhos que essa iniciativa vem trilhando, o que fica é o gole a seco, a tristeza de ver tantos entraves à realização de iniciativas que envolvam o enriquecimento cultural do nosso país; e o pior, por puro desinteresse. Segue a nota do poeta Thiago Cascabulho parcialmente editada:

Vocês sabem que eu fiz um blog para ser um laboratório de textos e um espaço para divulgar meus trabalhos – não um diário. No entanto, abro uma exceção para falar sobre os rumos do projeto Quatro Cantos de Euclides, que vem rendendo um misto de entusiasmo com frustração.
Entusiasmo por acreditar no livro como obra de arte e como produto cultural. Por ver que grupos inteiros de músicos e de atores dedicaram com amor e tempo aos ensaios para a execução do espetáculo Cantos de Euclides, na Flip. Ao receber as amostras das ilustrações revolucionárias, presentes no livro Quatro Cantos de Euclides, feitas pelo Miguel. Ao ver o entusiasmo de alguns professores universitários e de parceiros conhecidos e desconhecidos...

Frustração pela falta de visão dos empresários, que podem investir na idéia sem pagar um tostão e que, por pura má vontade, nem se dão ao trabalho de ler uma proposta. Por constatar que a educação, a leitura, a cultura e a memória do país ficam sempre em último lugar.
Mas, vendo os fatos com olhos também mesquinhos, até entendo o motivo para esta jogada de escanteio. Falar de Euclides da Cunha é estimular a visão crítica, é reconhecer que os textos de mais de 100 anos atrás continuam atuais, que crescemos apenas nas aparências, que continuamos vivendo nos sertões, onde homem explora homem, onde os recursos naturais são vendidos por bananas... (...)

Como aperitivo, posto aqui a Canção III, a moda de viola, que fala sobre a viagem que Euclides fez a Amazônia:

terça-feira, 21 de julho de 2009

Vídeo da FLIP

Eis o vídeo compacto do espetáculo teatral itinerante pelas ruas de Paraty, durante a FLIP, o Quatro Cantos de Euclides, contando a vida e a obra do imortal da ABL, Euclides da Cunha, através de músicas originais e um elenco de 41 atores.

(clique aqui e veja agora no You Tube)

O evento teve as participações dos grupos; ECFA, As Batianas, CENA e Projeto Musica nas Escolas.
A Direção Geral foi do fantástico Coletivo Teatral Sala Preta, e o texto do poeta Thiago Cascabulho.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Encanto na FLIP





veja as fotos na íntegra.


Teatro a céu aberto faz homenagem a Euclides da Cunha e contagia público da 7º edição da FLIP

Por Assessoria de Imprensa*


Turistas e moradores que transitavam pelas ruas da histórica Paraty no 3ª dia da 7ª Edição da Flip - Festa Literária Internacional de Paraty, dia 3, sexta-feira, foram surpreendidos por canto e poesia que dava vida ao espetáculo ‘Cantos de Euclides’. Desdobramento do livro ‘Quatro Cantos de Euclides’,
de Thiago Cascabulho, e do 'Projeto 100 anos sem Euclides', a peça teatral representou quatro fases da vida do escritor, cujo centenário de morte é completado em agosto deste ano.

Por volta das 21h30, as principais ruas da cidade foram tomadas por quarenta artistas - atores, músicos, dançarinos - que contagiaram o público. Durante as cinco paradas/etapas - cada uma representando uma fase da vida e obra do autor de Os Sertões – público observou, mas a maioria preferiu interagir com as diversas formas de manifestações de arte que o espetáculo proporcionou durante cerca de uma hora.

A encenação teve início em frente à Igreja do Rosário com o maculelê que apresentou os personagens. Canto e dança denunciavam que nos próximos momentos haveria um misto de emoção e êxtase. O elenco foi seguido por uma multidão que segurava velas e entoava um dos cantos compostos exclusivamente para o espetáculo – as letras das canções, assim como as velas, foram distribuídas pela equipe de produção da peça. O destino era a Casa da Cultura, onde uma roda de samba – que contou os primeiros anos do militar e engenheiro Euclides – aguardava.

Em seguida, todos foram levados até a Igreja de Santa Rita para conhecer o baião que falou sobre Os Sertões. Sem dúvidas, uma das cenas mais emocionantes. Ao som do grupo de percussão ECFA e com o quarteto de cordas do projeto Música nas Escolas, a cantora Sara Bentes, no alto de uma das torres da igreja, interpretou Santa Luzia.

Ao final da canção, o público foi convidado a olhar para a orla, onde um barco se aproximou de mancinho com violeiros que tocaram a moda de viola que narra as aventuras de Euclides da Cunha na Amazônia. Mais adiante, no próprio gramado da Santa Rita, o espetáculo culminou em uma grande roda de ciranda, representação tradicional do imaginário popular brasileiro. O Público – de várias gerações e lugares do país - e o elenco se fundiram em volta de uma grande fogueira.

“A ciranda arrisca a suspender o quinto tempo, o quinto canto a Euclides: a celebração festiva em sua memória. Um coletivo de guerreiros”, define o ator Rafael Crooz, membro do Coletivo Sala Preta.

As canções, compostas por Bianco Marques, em parceria com o escritor Thiago Cascabulho, exclusivamente para o espetáculo, fazem referência direta ou indireta aos textos do próprio Euclides da Cunha ou a acontecimentos de sua vida.

Cantos de Euclides é uma realização do Coletivo Teatral Sala Preta, com direção artística assinada pelos integrantes Bianco Marques, Danilo Nardelli e Rafael Crooz e direção de produção de Marcelo Bravo. A produtora carioca Caraminholas assina a co-produção. Diversos grupos artísticos da Região Sul Fluminense participam com percussão, interpretação, coral e quarteto de cordas, além do patrocínio do UBM - Centro Universitário de Barra Mansa - e do Transporte Generoso.

Entre as participações: Grupo de Estudo de Percussão do ECFA, Grupo As Bastianas, Projeto Música nas Escolas de Barra Mansa (Prefeitura Municipal), além dos atores: Thiago Delleprane, intérprete de Euclides da Cunha, Luana Dhickman, Suzana Zana, Sara Bentes, Marinêz Fernandes , Lúcio Roriz, Aline Mara, Clarissa Anastácio, Diane Tavares, Elisa Carvalho, Jessica Zelma e Lucas Fagundes.

Thiago Cascabulho responde

Entrevista com o autor do livro Quatro Cantos de Euclides


Thiago Cascabulho, jornalista, poeta e autor do livro Quatro Cantos de Euclides, além de grande realizador através de sua produtora, a Caraminholas, do espetáculo teatral de mesmo nome na FLIP, concedeu uma breve entrevista ao Projeto 100 anos sem Euclides, falando um pouco sobre sua trajetória artística, sua relação com Euclides da Cunha, e sobre as expectativas a respeito de seu livro.


Projeto Euclides - Qual a sua relação com a obra de Euclides da Cunha? Conte como descobriu o interesse pelo Autor?

Thiago - Meu primeiro contato com Euclides foi no colégio, quando li em sala alguns trechos de Os Sertões. Muito tempo depois, já jornalista e cursando a segunda graduação, letras, vi que muitas obras brasileiras fazem referência direta à obra do escritor. Aos poucos foi nascendo uma curiosidade em mim, uma vontade de conhecer mais. Foi com a proposta para participar do projeto “100 anos sem Euclides” que finalmente mergulhei na obra de Euclides. Foram seis meses de leitura e pesquisa.


Projeto Euclides - Fale um pouco sobre suas influências estéticas e sobre sua obra como poeta.

Thiago - Minha poesia nasceu com a adolescência, aos 13 anos. Influenciado por meu pai, que é um médico-escritor e por minha mãe - ambos vorazes leitores – li muita poesia brasileira, do arcadismo ao modernismo, passando pela literatura latina em geral. Sou muito influenciado por estas leituras e por uma formação cultural bem aberta, que vai do clássico ao popular. Ultimamente a música influencia muito a minha poesia. Busco falar o máximo no mínimo. A simplicidade.


Projeto Euclides - A musicalidade é o que se pode chamar de aposta do seu livro para despertar o interesse dos jovens. Quais sugestões de atividades pedagógicas relacionadas ao Livro no âmbito da escola você nos poderia dar?

Thiago - Eu vejo infinitas possibilidades. Quero que o livro seja devorado, letras, melodias e ilustrações. Uma boa pedida é explorar o livro com os alunos, deixar que eles usem suas próprias referências de vida para interpretar as passagens da vida e obra de Euclides. Que eles também produzam seus textos e desenhos. Que dancem e cantem os ritmos brasileiros propostos. Gostaria que os professores abraçassem a idéia de que estudar Euclides é uma forma de estudar o Brasil de ontem e hoje.

Projeto Euclides - Você acha que a literatura chamada consagrada se distancia do interesse estudantil por conta da maneira que é apresentada nas escolas? O seu livro é para você um esforço no sentido de restabelecer esse interesse?

Thiago - Acho que, em geral, os alunos não tem base alguma de leitura quando começam a ler os clássicos. Por isso são tão difíceis para eles. Além disso, quem não criou hábito de ler quando criança, vai ter dificuldades de interpretar qualquer tipo de texto no futuro. O mesmo vale para os professores. O meu livro torna a obra de Euclides um pouco mais acessível para os pequenos, mas é extremamente essencial que o professor conheça o original. Basta ter boa vontade.


Projeto Euclides - Você é blogueiro, escreve poesia e troca constantemente experiências por meio digital, inclusive seu livro será disponibilizado na rede. A internet tem influência indiscutível na formação do interesse das novas gerações. Você acha que o livro tradicional, de papel, estático, se torna desinteressante para o aluno que acessa constantemente o universo em movimento da internet?

Thiago - Eu acredito que a literatura vai se fundir cada vez mais à internet. Eu mesmo sou muito influenciado pelos recursos da rede, como pode ser visto na poesia “Entre Parênteses”, que está no meu blog - http://cascabulhices.blogspot.com/. No entanto, é bom lembrar que o meio muda, mas a literatura permanece, seja na pedra, papiro, pergaminho, papel ou tela.


Projeto Euclides - Que outros projetos ou idéias suas estão em desenvolvimento?

Thiago - Tenho o Projeto Douradinho(www.projetodouradinho.com.br) que foi realizado ano passado e está em fase de reestruturação para este ano. Além disso, o Coletivo Teatral Sala Preta - responsável pelo espetáculo que realizamos sobre o Quatro Cantos de Euclides na FLIP – também adaptou meu livro “Amiga Lata, Amigo Rio” e já está rodando o Estado. Tenho também outros livros na fila para a publicação, como o “Reinações de Lúcia Batata” e a reedição do “Jujuba, princesa do Jardim”, que foi lançado em 2005.

por Raphael Pereira

quarta-feira, 8 de julho de 2009

No rádio, Quatro Cantos.

Entrevista dá detalhes sobre o Espetáculo 'Quatro Cantos'

Em emissora paulista, autor do livro Quatro Cantos de Euclides, Thiago Cascabulho, fala da sua criação e da realização da peça que conta a vida do escritor, na FLIP



A jornalista Vanessa di Sevo conversou com Thiago Cascabulho, autor do livro Quatro Cantos de Euclides, e com Miguel Carvalho, ilustrador da obra, na Rádio Eldorado, tradicional emissora de São Paulo pertencente ao Grupo Estado. Durante a entrevista, ambos falaram principalmente sobre a apresentação teatral que ocorreu durante a feira literária de Paraty (FLIP), mas também conversaram sobre a escolha de participarem do Projeto 100 Anos Sem Euclides, as ideias iniciais para a criação da obra voltada ao público juvenil e as dificuldades para adequar a história de Euclides da Cunha ao mundo infantil tanto com imagens quanto com palavras, inclusive ao ter que descrever a trágica parte final da vida desse que foi um dos maiores autores da literatura brasileira.

Cascabulho deu ainda detalhes sobre o espetáculo ocorrido nas ruas de Paraty, na forma de cortejo encenado pelo coletivo teatral sala preta e com a participação de outros diversos atores. Durante a peça, estilos musicais diferentes delimitaram cada um dos quatro momentos da vida do escritor narrados por Jaguncinho, personagem trazido por Euclides da expedição em que cobriu a guerra de Canudos e que anos depois conta a história do próprio Euclides. Junto à apresentação, o escritor Thiago Cascabulho também lançou seu Livro, homônimo à peça e que a inspirou. O espetáculo Quatro Cantos de Euclides, apesar de ter sido pensado e ensaiado apenas para a cidade de Paraty, poderá, ainda nas palavras de Thiago, ser levado a outras cidades, como por exemplo Cantagalo, no interior do estado do Rio de Janeiro, onde em setembro ocorrerá o Seminário Internacional 100 Anos Sem Euclides.

terça-feira, 28 de abril de 2009

Livro do projeto

Euclides em Quatro Cantos de Paraty

Livro "Quatro Cantos de Euclides" ganha apoio do governo e será dramatizado durante famosa feira literária

O projeto "100 Anos Sem Euclides" conquistou uma vitória esta semana: a legitimação pelo Ministério da Cultura do sub-projeto "Quatro Cantos de Euclides", livro de literatura infanto-juvenil do escritor Thiago Cascabulho. O projeto do livro foi autorizado a captar recursos via Lei Rouanet no último dia 22 de abril. O escritor Thiago Cascabulho esabeleceu uma parceria com um grupo de teatro de Paraty que se interessou em encenar o texto de "Quatro Cantos de Euclides", durante a FLIP (Feira Literária Internacional de Paraty), a partir de primeiro de julho. A ideia é fazer uma "procissão euclidiana", levando para a praça e para as ruas da bucólica cidade do sul fluminense as belas cantigas do livro, em perfórmance teatral com mais de 50 atores. Os quatro cantos referem-se às várias fases da vida e da obra de Euclides da Cunha, cantadas em ritmos bem brasileiros. Na primeira parte, em ritmo de capoeira regional e maculelê, o escritor Thiago Cascabulho apresenta a personagem sertaneja que tanto encantou Euclides, em versos aflitivos: 

"Ê, sertão! O sertanejo é forte! Lá foi o meu chinelo No meio da consfusão. Foi minha família De fome ou de facão. Foi minha cidade Na boca do canhão." 

Na segunda parte, Cascabulho convida os leitores a cair no samba de roda, teatralizando a vida errante de Euclides, da infância até a profissão de engenheiro. Em ritmo de baião, apresenta a escrita euclidiana do sertão nordestino, através de passagens clássicas de "Os sertões". Na terceira parte, uma moda de viola introduz a passagem de Euclides pela Amazônia, onde "As saudades escorrem / Como a borracha / Sai da seringueira". A quarta e última parte celebra em uma ciranda o Euclides escritor e a carga lírica presente em sua poética: 

"A palavra alevanta, É alavanca forte. E no homem transfigura O fraco em humanidade. (...) A palavra sempre volta Alente esta verdade Quem por ela doa a alma Ascende à eternidade."

Thiago Cascabulho pretende concorrer ao prêmio instituído pela ABL (Academia Brasileira de Letras) que contemplará o melhor livro escrito sobre Euclides entre 1999 e 2009. O livro "Quatro Cantos de Euclides" vai sair ainda este semestre e será trabalhado nas escolas da região de atuação do Projeto "100 Anos Sem Euclides", com didática pensada em parceria entre a UFRJ e o autor. As canções que compõem o livro já foram gravadas e poderão ser distribuídas em CD junto com o material impresso. 

O livro encontra-se em fase de preparação das ilustrações e até setembro estará disponível para download no site do Projeto "100 Anos Sem Euclides". A fase de captação de recursos para a impressão de 10 mil exemplares da obra começa já. Assim que estiver disponível, os alunos das escolas de Cantagalo, Cordeiro, Macuco, Bom Jardim, Nova Friburgo e cidades próximas poderão conhecer a vida e a obra de Euclides da Cunha através de um trabalho de extrema beleza e sensibilidade realizado por Thiago Cascabulho. 

Espetáculo Quatro Cantos de Euclides


No último domingo, 28 de abril, reuniram-se em Paraty o escritor Thiago Cascabulho; os representantes do Coletivo teatral Sala Preta, Rafael Crooz, Bianco Marques e Danilo Nardelli; o produtor cultural Marcelo Bravo; os agitadores culturais Ailton e Tatiana Lima; o Diretor Cultural da Casa de Cultura de Paraty Marcio Franco e a professora Nathalia Cianni para discutir a apresentação da adaptação para o teatro do livro Quatro cantos de Euclides durante a FLIP de 2009.

O espetáculo, que percorrerá as ruas da cidade histórica e contará com a participação de 60 artistas, tem data prevista para a noite de 04 de julho – sábado. A festa começa com uma grande roda de capoeira e maculelê diante da Igreja do rosário. Depois, os artistas e os espectadores partem em procissão para a casa de cultura, onde uma roda de samba espera. Dali, seguem para a igreja da matriz para ver o baião que fala sobre Os Sertões. Durante a travessia do rio Perequê-açú, nasce a moda de viola que canta a Amazônia de Euclides e dá o norte para o destino final do espetáculo: uma roda de ciranda, ao lado da tenda dos autores.

Na manha do dia 29 de abril, Thiago Cascabulho apresentou a proposta de parceria para a coordenadora pedagógica da Flipinha, Gabriela Gibrail, que abraçou a idéia: o espetáculo Quatro Cantos de Euclides participará da programação oficial da Flip 2009.

No momento, o produtor cultural Marcelo Bravo levanta os dados técnicos necessários para a apresentação, para repassá-los à coordenação da FLIP. Enquanto isso, o Coletivo teatral Sala Preta agenda o início dos ensaios.