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domingo, 11 de outubro de 2009

Cátedra da UFRJ promove Congresso


A Cátedra Jorge de Sena, da UFRJ, uma das promotoras do seminário 100 anos sem Euclides, tem o prazer de convidar a todos para o seu I Congresso Internacional a realizar-se de 20 a 22 de outubro na Faculdade de Letras da UFRJ.

O evento - Andanças Prodigiosas da Literatura - comemora os 10
anos da Cátedra, os 50 anos da chegada de Jorge de Sena ao Brasil, acontecendo ainda no ano em que o poeta completaria 90 anos.

As inscrições para participação como ouvinte estão abertas na CJS da Faculdade de Letras da UFRJ ou pelo
e-mail: catedrajorgedesena@gmail.com

Jorge de Sena foi possivelmente um dos maiores intelectuais portugueses do século XX. Tem uma vasta obra de ficção, drama, ensaio e poesia, além de vasta epistolografia com figuras tutelares da história e da literatura portuguesas.

Visite o site da Cátedra: http://catedrajorgedesena.letras.ufrj.br

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Incrições abertas: Semana Euclides da Cunha na UFRJ


A faculdade de Letras da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) realizará a Semana Euclides da Cunha, nos dias 29/09, 30/09 e 01/10. No evento, diversos especialistas na vida de Euclides da Cunha e em sua obra estarão presentes, entre eles Berthold Zilly, que traduziu os Sertões para o alemão; a antropóloga Regina Abreu; Aeilton Fonseca, escritor que lança romance baseado na obra de Euclides; e Leopoldo Bernucci, Professor de literatura latino-americana da Universidade da Califórnia, EUA, responsável pelo lançamento de "Euclides da Cunha: uma odisseia nos trópicos”, nova biografia do autor de “Os Sertões”, do americano Frederic Amory.

A semana será coordenada pela professora Anélia Montechiari Pietrani. As palestras ocorrerão no auditório G1 da Faculdade, que fica situada na Av. Horácio Macedo, 2.151 – Módulo Acadêmico III, Cidade Universitária, Ilha do Fundão, Rio de Janeiro/ RJ, CEP 21941-917.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Palestra na UFRJ

Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ recebe a palestra: Um século sem Euclides

Mesa composta por respeitáveis estudiosos das temáticas euclidianas brindou público com uma palestra que trouxe Euclides à atualidade



No salão dourado da UFRJ, na Praia Vermelha, no município do Rio de Janeiro, o tradicional Fórum de Ciência e Cultura abriu suas portas para Euclides da Cunha. O belo salão tem uma programação ampla com diversos eventos culturais, e, na sexta-feira, dia 14 de agosto, recebeu a abertura de uma série de debates intitulada "Centenário da Morte de Euclides de Cunha". Na mesa para a palestra 'Um século sem Euclides', às 10 horas, se encontraram o reitor da UFRJ, Aloísio Teixeira, Joel Rufino dos Santos, ex-professor de Literatura da UFRJ; Vera Malaguti Batista, secretária geral do Instituto Carioca de Criminologia; e José Celso Martinez Corrêa, dramaturgo responsável pela montagem da peça teatral “Os Sertões”.

Em mais um evento agradável e qualificado do fórum, a mesa da palestra foi aberta pelo magnífico reitor da UFRJ, Aloísio Teixeira, que proferiu um discurso acerca dos atributos intelectuais dos grandes nomes da história do Brasil, dando grande destaque aos expoentes da literatura brasileira. Seu discurso culminou no engrandecimento da obra de Euclides da Cunha, com referências à influência marxista recebida pelo escritor. Os cerca de 50 ouvintes da platéia mostraram bastante interesse às palavras dos quatro palestrantes, que desfilaram grande conhecimento do assunto e apresentaram-se muito simpáticos.

A criminóloga Vera Malaguti traçou comparações entre a obra euclidiana e a realidade próxima, vivida pelas grandes cidades: "Ontem em Copacabana (bairro carioca), em mais um episódio deplorável denominado de “choque de ordem” eu reli Os Sertões." disse, ao se referir à truculência da guarda urbana do município do Rio de Janeiro contra os cidadãos. Em seu discurso ela concluiu: "O livro “Os sertões” foi o primeiro ataque ao escândalo de dois “brasis” desiguais com a repressão do próprio estado brasileiro massacrando e degolando seu próprio povo."

Em seguida o professor Joel Rufino entregou algumas excelentes reflexões sobre a atualidade estética do grande livro de Euclides, mesmo passados mais de cem anos de sua publicação: "A primeira fase de “Os Sertões” é pura poesia, trata-se do Brasil escrevendo sobre si. Euclides põe o Brasil frente ao espelho." E estendeu seus comentários a influência do escritor no cenário das letras nacionais: "Não tenho receio algum em afirmar que Euclides idealizou e preparou a semana de “22”. O professor falou ainda sobre a experiência de ensinar Euclides, e sobre a atualização da metodologia em torno da obra do homenageado como matéria das aulas de literatura: "Faço uma autocrítica sobre minhas aulas de literatura quando jovem, pois retratava Euclides e os Sertões apenas como referência literária, um grande equívoco."

O dramaturgo José Celso Martinez concluiu a ocasião com boas considerações sobre correlação política da temática euclidiana com os dias atuais: “Os Sertões” relata a república do massacre, essa república é negada na obra da mesma maneira que se nega a república atual vista no senado através dos episódios de Sarney que usa da aquisição do bem público contra o próprio público."

O evento terminou por volta das 14h, após a exibição de um DVD com cerca de 10 minutos do espetáculo teatral de José Celso, Os Sertões.

Por Raphael Pereira e Liomar

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Revista eletrônica da UFRJ, Olhar Virtual:

Euclides, equação de paixão e razão

Rodrigo Ricardo


Alvejado pelas balas do amante da esposa, tenta imaginar o rosto da mãe e a República que faria avançar o país que considerava “organicamente inviável”. Naquela manhã de domingo, 15 de agosto de 1909, antes de jazer em Piedade, zona norte do Rio, Euclides recordaria ainda a terra, o homem e a luta de Canudos. Cem anos depois, a vida e a obra do autor de Os Sertões seguem investigadas por diversas áreas do saber, debruçadas em desvendar o enigma e os caminhos de uma nação.

“Engenheiro, jornalista, escritor. Onde termina e começa cada uma dessas faces?”, indaga Anélia Pietrani, professora do Departamento de Literatura Brasileira da Faculdade de Letras (FL/UFRJ). Para a docente, Euclides apresenta uma prévia da visão interdisciplinar e seus tênues limites, além da crítica à nascente República (1889). “Um republicano que via com estranheza uma luta entre brasileiros, como em Canudos, e apontava as chagas da res publica, do latim “coisa pública”, dominada pela plutocracia e por oligarquias presentes até hoje na figura das famílias Sarney, Collor, Magalhães e outras.”

Inspirado em Castro Alves, Euclides Rodrigues Pimenta da Cunha escreve poemas sob o título de “Ondas”. Nos estudos, passa pela atual Escola Politécnica da UFRJ, abandonando-a para ingressar na Escola Militar da Praia Vermelha, de onde acabaria expulso por atirar a espada de cadete aos pés do ministro da Guerra ainda sob o regime do Império. Com a proclamação da República, é incorporado ao Exército e, mais tarde, licenciado como tenente, torna-se correspondente de O Estado de S. Paulo para acompanhar a quarta expedição do governo ao sertão da Bahia contra Canudos. “Logo após a publicação de Os Sertões (1902), José Veríssimo exalta a obra como misto de ciência e literatura, enquanto o autor prefere chamá-la de livro-vingador”, recorda Pietrani, explicando que a referência de Euclides trata do “Brasil, que estava de costas para si mesmo, imerso na belle époque e atento à Europa”.

Natural de Cantagalo, Rio de Janeiro, a professora pondera sobre o desafio de levar o texto do famoso conterrâneo e outros clássicos até as salas de aula. “Nunca, de fato, pedi aos meus alunos do ensino médio que lessem ‘Os Sertões por inteiro. O trabalho com trechos é questionável, porque acaba sendo um estudo fragmentado”, admite Pietrani, não deixando de defender os estudantes no “direito de ler” a íntegra de uma obra. Para Luiz Costa Lima, a dificuldade não será apenas quanto a Euclides, mas a toda literatura. “A questão é importante e deveria ser discutida seriamente. No fundo, ela remete à pergunta: que papel se concede à literatura na formação da juventude de hoje? Concede-se algum?”, interroga o professor aposentado de Teoria Literária da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj).

Paraíso perdido

Autor de Terra Ignota: a construção de ‘Os Sertões’ (Civilização Brasileira, 1997), Costa Lima aponta que, seguindo o cientificismo do fim do século XIX, Euclides concebia a ciência como a chave para as certezas do homem. “Ele acreditava que a literatura do futuro conteria um núcleo de análise científica, revestido de um brilho literário, que favorecesse a leitura. Neste instante em que a superioridade discursiva era concedida à ciência, dava à literatura o lugar de ornamento. O mais interessante seria agora nos perguntarmos se não é essa concepção que permanece dominante”, questiona o também professor do Departamento de História da Pontíficia Universidade Católica (PUC/RJ).

Em Os Sertões, certos críticos destacam o tratamento dado às mulheres, muitas vezes classificadas como megeras ou "demônios de anáguas". Os mais afobados poderiam correr a chamar o autor de machista; porém, Costa Lima alerta sobre observações rápidas acerca de quem cresceu órfão de mãe. “Pertencia a uma sociedade patriarcal e o próprio modo como procurou resolver seu dilema matrimonial era adequado a uma conduta machista. Entretanto, não se infere que visse a mulher, em geral, como bruxa”, contesta Costa Lima, elucidando que os insultos concernem à passagem sobre um grupo de prisioneiras de Canudos na qual, no entanto, também destaca a beleza singular de uma delas. “Como um grande tímido, é possível que Euclides se sentisse fragilizado diante da mulher. Mas não vamos fazer uma relação de causa e efeito.”

Após o meteórico sucesso de Os Sertões, Euclides elege-se à Academia Brasileira de Letras (ABL). Já imortal, parte para o Alto Purus, com o objetivo de realizar o levantamento cartográfico do rio na fronteira com o Peru. “Desta experiência na região Amazônica, intentava escrever o Paraíso Perdido”, revela Pietrani, enfatizando que o livro era tratado como o segundo livro-vingador. “Mostraria um lado do país também desconhecido. Euclides tinha esse compromisso de alertar ao leitor sobre o Brasil, além de uma paixão pela palavra ao narrar algo como ‘Rugiam raivosamente cinco mil soldados, mas Canudos não se rendeu...’.”

in: http://www.olharvirtual.ufrj.br/2006/index.php?id_edicao=262&codigo=3