terça-feira, 28 de abril de 2009

Apoio

Na última estante: literatura brasileira

Em nota, famoso poeta pernambucano dá seu apoio ao projeto Euclides e critica a postura da sociedade em relação à literatura brasileira.

Cyl Gallindo, escritor, jornalista, poeta e conferencista, autor de diversos livros premiados, pernambucano e Euclidiano Aguerrido; publicou nota de apoio ao projeto 100 anos sem euclides no blog de Luiz Erthal, Toda Palavra. Esse espaço vem registrar aqui tal manifestação com orgulho de saber a importância que a iniciativa em torno da memória de Euclides vem ganhando.

Revelar-me surpreso seria infantilidade. Não é apenas Euclides, de quem sou devoto, somos todos os brasileiros que dedicamos as nossas vidas à Literatuera e à Cultura de maneira geral.
Basta ver as livrarias deste País: na entrada, deparamos com dezenas de estantes dedicadas a Literatura Estrangeira, Autoajuda, Filosofia, FUTEBOL, BBB e Sanitários, para lá no fim encontrarmos Literatura Brasileira. Isto não quer dizer que conste qualquer nome (o que é compreensível), mas pelo menos bons nomes. Não, amigos, as editoras só publicam os nomes que cairam em “domínio público”, porque uma das obrigações mais impensadas do editor brasileiro é pagar “Direitos Autorais” - o que significa destinar 10% do preço de capa de uma obra para o seu autor.
E não pense que as universidades agem diferente. Elas nos convidam para fazer uma palestra por um tão somente “muito obrigado”, como se estivessem nos fazendo um favor.
Da mídia, nem falo. Que televisão brasileira dedica um minuto para divulgação de uma obra de autor brasileiro? As revistas de circulação nacional estampam semanalmente dezenas de obras, todas traduzidas, que ocuparão as estantes das livrarias.
Quem fala mais em Drummond, Gilberto Freyre, Vinícius de Morais, Mauro Mota? Com Euclides não é diferente, um autor capaz de revelar o Brasil.

Parabéns pela frente de batalha recém-instalada.

Abraços,
(assina Cyl Gallindo)

Livro do projeto

Euclides em Quatro Cantos de Paraty

Livro "Quatro Cantos de Euclides" ganha apoio do governo e será dramatizado durante famosa feira literária

O projeto "100 Anos Sem Euclides" conquistou uma vitória esta semana: a legitimação pelo Ministério da Cultura do sub-projeto "Quatro Cantos de Euclides", livro de literatura infanto-juvenil do escritor Thiago Cascabulho. O projeto do livro foi autorizado a captar recursos via Lei Rouanet no último dia 22 de abril. O escritor Thiago Cascabulho esabeleceu uma parceria com um grupo de teatro de Paraty que se interessou em encenar o texto de "Quatro Cantos de Euclides", durante a FLIP (Feira Literária Internacional de Paraty), a partir de primeiro de julho. A ideia é fazer uma "procissão euclidiana", levando para a praça e para as ruas da bucólica cidade do sul fluminense as belas cantigas do livro, em perfórmance teatral com mais de 50 atores. Os quatro cantos referem-se às várias fases da vida e da obra de Euclides da Cunha, cantadas em ritmos bem brasileiros. Na primeira parte, em ritmo de capoeira regional e maculelê, o escritor Thiago Cascabulho apresenta a personagem sertaneja que tanto encantou Euclides, em versos aflitivos: 

"Ê, sertão! O sertanejo é forte! Lá foi o meu chinelo No meio da consfusão. Foi minha família De fome ou de facão. Foi minha cidade Na boca do canhão." 

Na segunda parte, Cascabulho convida os leitores a cair no samba de roda, teatralizando a vida errante de Euclides, da infância até a profissão de engenheiro. Em ritmo de baião, apresenta a escrita euclidiana do sertão nordestino, através de passagens clássicas de "Os sertões". Na terceira parte, uma moda de viola introduz a passagem de Euclides pela Amazônia, onde "As saudades escorrem / Como a borracha / Sai da seringueira". A quarta e última parte celebra em uma ciranda o Euclides escritor e a carga lírica presente em sua poética: 

"A palavra alevanta, É alavanca forte. E no homem transfigura O fraco em humanidade. (...) A palavra sempre volta Alente esta verdade Quem por ela doa a alma Ascende à eternidade."

Thiago Cascabulho pretende concorrer ao prêmio instituído pela ABL (Academia Brasileira de Letras) que contemplará o melhor livro escrito sobre Euclides entre 1999 e 2009. O livro "Quatro Cantos de Euclides" vai sair ainda este semestre e será trabalhado nas escolas da região de atuação do Projeto "100 Anos Sem Euclides", com didática pensada em parceria entre a UFRJ e o autor. As canções que compõem o livro já foram gravadas e poderão ser distribuídas em CD junto com o material impresso. 

O livro encontra-se em fase de preparação das ilustrações e até setembro estará disponível para download no site do Projeto "100 Anos Sem Euclides". A fase de captação de recursos para a impressão de 10 mil exemplares da obra começa já. Assim que estiver disponível, os alunos das escolas de Cantagalo, Cordeiro, Macuco, Bom Jardim, Nova Friburgo e cidades próximas poderão conhecer a vida e a obra de Euclides da Cunha através de um trabalho de extrema beleza e sensibilidade realizado por Thiago Cascabulho. 

Espetáculo Quatro Cantos de Euclides


No último domingo, 28 de abril, reuniram-se em Paraty o escritor Thiago Cascabulho; os representantes do Coletivo teatral Sala Preta, Rafael Crooz, Bianco Marques e Danilo Nardelli; o produtor cultural Marcelo Bravo; os agitadores culturais Ailton e Tatiana Lima; o Diretor Cultural da Casa de Cultura de Paraty Marcio Franco e a professora Nathalia Cianni para discutir a apresentação da adaptação para o teatro do livro Quatro cantos de Euclides durante a FLIP de 2009.

O espetáculo, que percorrerá as ruas da cidade histórica e contará com a participação de 60 artistas, tem data prevista para a noite de 04 de julho – sábado. A festa começa com uma grande roda de capoeira e maculelê diante da Igreja do rosário. Depois, os artistas e os espectadores partem em procissão para a casa de cultura, onde uma roda de samba espera. Dali, seguem para a igreja da matriz para ver o baião que fala sobre Os Sertões. Durante a travessia do rio Perequê-açú, nasce a moda de viola que canta a Amazônia de Euclides e dá o norte para o destino final do espetáculo: uma roda de ciranda, ao lado da tenda dos autores.

Na manha do dia 29 de abril, Thiago Cascabulho apresentou a proposta de parceria para a coordenadora pedagógica da Flipinha, Gabriela Gibrail, que abraçou a idéia: o espetáculo Quatro Cantos de Euclides participará da programação oficial da Flip 2009.

No momento, o produtor cultural Marcelo Bravo levanta os dados técnicos necessários para a apresentação, para repassá-los à coordenação da FLIP. Enquanto isso, o Coletivo teatral Sala Preta agenda o início dos ensaios.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Conferência, parte 3.2 - final

Os passos de Euclides

No pen clube, Edmo Lutterbach encerra sua conferência falando sobre o auge e a prematura morte de Euclides da Cunha.

No ano 1884 ingressa na Escola Politécnica e, em 1886, é o cadete n° 308 da Escola Militar.   Excluído ao final de um biênio, parte com destino a São Paulo, volvendo em 1889, e ocorre sua reversão ao Exército. Em 20 de janeiro de 1891, vinte e nove de janeiro, obtém um mês de licença para tratamento de saúde e se retira para a Fazenda Trindade, de propriedade de seu pai, localizada em Nossa Senhora do Belém do Descalvado, interior de São Paulo, onde sofre a perda de sua filha Eudóxia, com poucas semanas de vida.

No ano 1892, conclui o curso de Estado-Maior e engenharia militar da Escola Superior de Guerra, em 8 de janeiro e recebe o Diploma de bacharel em matemática e ciências físicas e naturais no dia 16; e nomeado engenheiro praticante na Estrada de Ferro Central do Brasil – trecho São Paulo/Caçapava. Decorrido um biênio vai residir em Campanha (Minas Gerais), e na cidade mineira, nasce, em 11 de novembro, um filho, que recebeu o nome de Sólon Ribeiro da Cunha, em homenagem ao avô.

Deixa Campanha em 1895, rumo a Belém do Descalvado, Estado de São Paulo; pisa em 1897 nos sertões da Bahia para documentar a guerra de Canudos, adido à comitiva militar do Ministro da Guerra, Marechal Machado Bittencourt, como correspondente do jornal Estado de São Paulo. Aproxima-se de Queimadas a 1° de setembro; a 4 desse mês parte com destino a Monte Santo, aonde chega a 7, depois de percorrer Tanquinho, Cansanção, Quirinquiquá. No dia seguinte continua a viagem para Canudos, e  chega a 16. Acompanha o desenrolar da luta e, em outubro, torna a Salvador. Aí permanece dias; torna ao Rio. 

Em dezembro busca a fazenda do pai, no interior paulista. No ano 1898 profere, no Instituto Histórico de São Paulo, a conferência sobre a Climatologia na Bahia e segue para São Jose do Rio Pardo, no Estado de São Paulo, a fim de reconstruir uma ponte. No mês de novembro está em São Carlos do Pinhal e, em dezembro, removido para Guaratinguetá. Estabelece residência em Lorena, 1902, ano do lançamento de OS SERTÕES, livro que o conduziu, em 21 de setembro, à Academia Brasileira de Letras e ao Instituto Histórico e Geográfico dois meses à frente, com o beneplácito da crítica.   

Está com 37 anos de idade.    

Continuemos: instala-se no ano 1904 em Guarujá: é engenho-fiscal das Obras de Saneamento de Santos. No mês de abril exonera-se e a 9 de agosto, Rio Branco – o homem que ele admirava com toda  “sua majestosa gentileza”, homem de quem se aproximava “sempre tolhido, e contrafeito pelo mesmo culto respeitoso” e com quem conversava, discutia, franqueando-lhe o Barão “a máxima intimidade”, mas não havia meio de “considerá-lo sem as proporções anormais do homem superior à sua época – Rio Branco o nomeia Chefe  da Comissão do Alto Purus, o que o obrigou partir para Manaus a 13 de dezembro daquele 1904. 

A 15 de maio de 1905, alcança a boca do Acre. Volve ao Rio – 1906, e a 18 de dezembro empossa-se na Cadeira n° 7, da Academia Brasileira de Letras, patronímica de Castro Alves. 

Publica, no ano 1907, CONTRASTES E CONFRONTOS, também PERU VERSUS BOLÍVIA. A 2 de dezembro está no Centro Acadêmico 1 de Agosto, em São Paulo, proferindo a conferência Castro Alves e seu tempo. Conclui À MARGEM DA HISTÓRIA, 1908 e em 1909, submete-se ao concurso de Lógica do Ginásio Nacional. No mês de julho é nomeado para o cargo de catedrático; ministra a primeira aula a 21, e a última, em 13 de agosto. A 15 desse mês e ano, aos 43 anos, 6 meses e 27 dias, teve sua existência interrompida.

Sua morte abalou o Brasil; enlutou a cultura pátria.A primeira notícia divulgando a tragédia fora feita pelo então deputado Coelho Neto, na Câmara. Coelho Neto, o primeiro a ser chamado à Estrada Real de Santa Cruz, 214, para certificar-se do consternador episódio. 

No dia imediato, traduziu ele, naquele legislativo, sua fortíssima emoção, ao encontrar, “sobre uma cama de ferro, coberto por um lençol enxovalhado, o cadáver de Euclydes”. E confessou: “pareceu-me, de improviso, que eu estava entrando, páginas a dentro, pela obra do grande mestre grego, tendo à frente de meus olhos o episódio de Átrides; era um trecho de Oréstia, tal a grandeza da tragédia.”   E sentindo faltar-lhe, quase, as expressões, exortava que o Brasil acompanhasse o grande espírito de Euclydes da Cunha, como o povo de Israel acompanhava a ascensão dos anjos – primeiramente para o céu de Deus –, em que haveria de ficar perenemente vivo o espírito que residiu no corpo do homem mártir desaparecido.  É com grande saudade – prosseguiu – “é com grande saudade que eu, amigo de Euclydes da Cunha, falo à Câmara dos Deputados: é com pesar que eu, brasileiro, me refiro a este nome; é com gratidão de sertanejo, com a minha alma de filho das terras interiores deste país, que agradeço àquele beneficiador dos simples, um livro primoroso”.  

José Maria da Silva Paranhos do Rio Branco, em carta pai de Euclydes, externou-lhe a sua dor, o seu sentimento:      “Atordoado pela nossa grande desgraça do dia 15, não pude dirigir-lhe antes palavras de amizade, de simpatia e de conforto; o terrível golpe que feriu seu coração de pai, feriu igualmente o meu coração de amigo e sincero admirador dos grandes dotes intelectuais e morais do seu nobilíssimo filho; sei quanto perdi de sincero afeto com o desaparecimento desse bom amigo e companheiro de trabalhos; sei o quanto de esperanças fundadas perdeu o Brasil (Rio Branco e Euclydes da Cunha, Imprensa Nacional, 1946, p. 73).     

Posteriormente, ainda em 1909, Rio Branco, fazendo o necrológio de Euclydes no Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, enalteceu-o com o título de “intrépido explorador do Alto Purus; homem que tanto prometia enriquecer ainda a nossa literatura, homem de delicado pundonor que sempre foi, e cuja pureza de sentimentos e alto valor intelectual pude conhecer de perto nos breves anos de convivência e de estudos, de trabalhos e de esperanças patrióticas, homem que foi vitimado, no vigor da idade, numa terrível tragédia”. 

Também nós, cem anos depois, repetimos com idêntica franqueza as palavras de Rio Branco: também nós sabemos o quanto de esperanças fundadas perdeu o Brasil com a morte do extraordinário fluminense que se chamou Euclydes da Cunha.             


Conferência, parte 3.1

Euclides e os sertões

Fala o conferencista brevemente sobre a obra máxima do cantagalense Euclydes

Muito se tem escrito sobre Euclydes e sua obra, especialmente aquela com que premiou ele a literatura universal: OS SERTÕES, tinta bastante foi derramada em louvor a esse monumento, que completará, no dia 2 de dezembro de 2009, cento e sete anos de leitura.

(...)

Estudamos, lemos e relemos trabalhos de críticos, assistimos conferências, participamos de debates e concluímos não ser fácil ou, com outras palavras, ser difícil, dificílimo, em oportunidades como esta, surpreender os ouvintes com alguma coisa nova em torno do nosso co-estaduano e de OS SERTÕES  já traduzido para o espanhol, o alemão, o italiano, o francês, o sueco, o dinamarquês, o inglês, o chinês, o japonês, o holandês, o russo.

(...)

Finalmente, na silenciosa Fazenda da Saudade realizamos, mesmo sem a compreensão necessária, sem a capacidade suficiente (esta ainda nos falta), a leitura de OS SERTÕES, tido como um dos documentos intelectuais mais altos da América; o de maior fundo humano e de mais pungente e bela forma literária (...).

A  TERRA, capítulo  inicial, preenche cinqüenta e duas páginas com descrições fantásticas. Investigando-as, constatamos, de imediato, um quadro magnífico, impressionante, contendo episódios alegres e tristes e concluímos que a delicadeza do pincel de Pedro Américo não nos ofereceria melhor, ou semelhante como aquele atentamente contemplado do alto do Monte Santo, por Euclydes, registrado a páginas vinte e quatro: “Nada mais dos belos efeitos das desnudações lentas, no remodelar os pendores, no despertar os horizontes e no desatar – amplíssimos – os gerais pelo teso das cordilheiras, dando aos quadros naturais a encantadora grandeza de perspectivas  em que o céu e a terra se fundem em difusão longínqua e surpreendedora de cores...(Laemmert & C. Editores, 2ª. Ed. 1903).

Victor Meirelles [Ligado ao Romantismo brasileiro, ocorrido na segunda metade do século XIX, o pintor Victor Meirelles ganhou notoriedade a partir da década de 1870, ao lado de Pedro Américo e Almeida Júnior, fonte: wikipédia] também não pincelaria um panorama com tanta venustidade, ainda que volvendo, qual Euclydes, o olhar “para os céus, sem nuvem! O firmamento límpido arqueia-se alumiado ainda por um sol obscurecido de eclipse”. 

Possivelmente conhecia esta dissertação belíssima o porta-voz da Academia Brasileira de Letras, Silvio Romero, para afirmar, ao abrir-lhe as portas da imortalidade: “
Estudaste a terra, Sr. Dr. Euclydes da Cunha, estudastes a terra, sua organização, seus aspectos, sua flora, seu clima, seus padecimentos, e tomastes nas mãos a mor porção dos fios invisíveis com que ela prende o homem e o faz à sua imagem e semelhança.”

(...)

Euclydes sempre se mostrou um eterno simpatizante da natureza. Concluiu que aquela noção abstrata da pátria era fascinante, capaz de consolar os que se afastam de seu convívio residencial tranqüilo,  expondo-se às batalhas perigosas.

(...) 

A natureza era-lhe o enlevo do coração, percepcionou Coelho Neto. Quando descreve a seca – constatamos –, é  rigoroso, mas a tragédia apontada desaparece diante dos recursos estilísticos do primoroso artista, com sua facilidade inimitável de arquitetar expressões. A tragédia da seca horroriza; todavia, a impressão que nos fica, mais acentuada, não é a de pavor. É a impressão confortadora de ter encontrado um estilista que narra episódios tristes sem nos deixar acabrunhados, porque consegue temperar a rusticidade de alguns acontecimentos com a chama viva, crepitante, de um estilo em variações esplendentes. 

Vemos a seca, descrita por Euclydes, nitidamente, não em tela, mas no original; não através de lentes, e sim da leitura fascinante, graças à pena delgada, maleável, do artista genial, cuja perfeição chega ser sublime.

E caminhemos para a segunda parte do livro: O HOMEM. Maior número de páginas trata do assunto. Cento e trinta, precisamente. A complexidade do problema etnológico no Brasil; a gêneses dos jagunços; o sertanejo; Antônio Conselheiro, são temas que reclamam leitura sem pressa.

A LUTA – terceira parte, está enfeixada em trezentas e cinqüenta páginas outras, numa linguagem igualmente bela.  Na introdução do livro CANUDOS – diário de uma expedição, 1959), Gilberto Freyre afirmou que Euclydes foi  “um escritor adiantadíssimo para o Brasil de 1900; escritor fortalecido pelo traquejo científico, enriquecido pela cultura sociológica, aguçado pela especialização geográfica.
 
Esse Euclydes que, quase sempre viveu isolado, afastado do conforto, dos amigos, das bibliotecas, sem permanência prolongada nos recantos por onde passou; não esquentava lugar. Teve, porém, recursos armazenados em sua inteligência para produzir tanto.